ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE 2-TEXTO 1

Olá Olá amigos!

Então é chegada a hora do primeiro texto da jornada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE 2! Ufa, já é tanta coisa para dizer sobre estes primeiros dias desta peregrinação entre Itália e Santiago de Compostela e Fátima… Mas primeiro eu queria deixar algo no ar, para refletirmos mais para o fim destas linhas:

SER UM PEREGRINO OU UM SER PEREGRINO? Eis a questão.

Quem acompanhou a primeira edição da jornada na peregrinação que fiz entre Lisboa e Roma entre JUL 2019 E FEV 2020, sabe que os textos são a hora de focar mais no relacionamento humano e nos milagres e dádivas do Caminho. Se é a tua primeira vez a acompanhar a jornada, bem-vindo a este “momento texto ”, que particularmente considero a mais importante das partilhas.

Os passos iniciais da jornada foram dados a partir da CAPPELLA DI SANTA BRÍGIDA, nas montanhas que circundam Impéria, na Itália. Eu sabia que tinha que começar ali, mas não sabia o porquê. Entretanto, alguns dias antes do início, descobri o motivo: Santa Brígida foi uma santa que peregrinou da Suécia a Roma e depois de Roma a Jerusalém, esta última peregrinação já com 70 anos de idade! Eu não sabia o porquê, mas a minha alma já sabia. Os primeiros 3 dias correram bem em solo italiano – o corpo se acostumando com o peso que carregava, mas a VIA DELLA COSTA sempre tranquila e com as suas paisagens exuberantes a brindar os olhos e a alma. Destaque para as vezes que toquei em San Remo e depois a chegada a Ospedaletti, um lugar que tinha me marcado na primeira vez da jornada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE EM 2019 – conclusão, um rapaz que trabalhava no bar que eu tinha visitado em 2019 me viu tocar em San Remo e então pediram para eu tocar lá também. Grande momento, e no fim a dona do estabelecimento ainda me ofereceu comida e bebida por conta da casa.

Então veio o primeiro momento de forte emoção: cruzar a fronteira entre Itália e França nestes tempos incertos de pandemia, ainda mais porque há poucos dias tinha começado esta história de green card / passe higiênico e a tensão estava de volta no ar. E lá fui eu cruzar a fronteira muito tranquilo, sempre com a certeza no meu coração que as fronteiras são sempre fictícias, pura invenção humana. Estava eu a cruzar pelo lado esquerdo, quando um guarda me chama e diz que para atravessar para a França tinha que ser pelo outro lado, pedindo gentilmente que eu me dirigisse para o lado direito e abrindo caminho para mim. Ali já senti “o vento a favor”, e a segurança que já sentia dentro do peito cresceu ainda mais. Sigo em frente e um guarda super jovem se aproxima de mim e pede os meus documentos – acabei fazendo uma brincadeira com ele de uma forma muito natural e no fim trocamos sorrisos e ganhei um “Bem-vindo à França!” também muito tranquilo da parte dele. A partir dali, começava oficialmente o sempre árduo e muito especial Caminho de Santiago em terras francesas.

A passagem por MENTON foi um mix de emoções e sentia também um cansaço mais forte. A cidade estava abarrotada de gente, muita gente mesmo. Depois resolvi comer um taco vegetariano (o melhor de sempre!) onde fui atendido por uma simpática ucraniana que falava Italiano, para a minha alegria e alívio – mas como eu não tinha o tal passe higiênico, tive que comer longe do restaurante, pois na França nem na parte de fora (esplanadas) podemos ficar sem o tal passe. Ok, agora estava pronto para realizar a minha missão em Menton, que era levar música para as ruas. E assim foi feito, onde recolhi muitos sorrisos, distribuí as mensagens do “chapéu mágico” e senti o ar mais leve e tranquilo entre as pessoas. Feito! No fim daquela noite em clima de festa que parecia não ter fim e nem parecia ser meio de semana, acabei dormindo num sofá na esplanada de um restaurante.

Manhã seguinte, hora de partir, e desta vez fui atendido por uma italiana num café – parece que a Itália não queria “me largar”, mas era suposto que este lindo país e tudo que ali vivi ficasse cada vez mais para trás, como uma página que precisava ser virada neste grande livro chamado VIDA. Comecei a caminhar muito animado, mesmo com a primeira grande subida rumo às montanhas, subida ainda mais dura por causa do forte calor. Olho para o lado e vejo o Principado de Mônaco, uma bela visão, assim como foi muito belo estar lá em cima em ROQUEBRUNE, uma vila que em tempos passados foi lugar predileto de algumas princesas e também da companheira de Napoleão Bonaparte. Dali para frente foi só montanha e montanha, visitei o MONTE GROS com os seus 689m de altitude e uma pista de voo livre, onde acabei assistindo a uma austríaca saltando lá de cima com destino a uma praia em MÔNACO. Mas o corpo estava cada vez mais cansado devido ao forte calor. Daí, no fim do dia, surgiu o primeiro anjo de carne e osso do Caminho, este senhor da foto 1, o STEPHAN. Eu estava passando praticamente no meio do nada e ele me acenou de longe e pediu para eu me aproximar, pois não conseguia ouvir o que eu dizia – ele estava ali assistindo o seu lindo cavalo chamado Lusitano (sim, cavalo português!) a terminar de comer. Daí ele perguntou onde eu ia dormir, eu disse que dormia um pouco mais adiante, mas que estava pensando mesmo é em onde eu ia comer. Conclusão, Stephan gritou algo lá para baixo para a sua companheira Gil e disse que eu ia comer com eles. No fim, ele mesmo preparou tudo e cozinhou aquela que foi a melhor refeição da jornada até agora! Não satisfeito, ele me levou para dormir num dos lugares preferidos da propriedade dele, debaixo de uma oliveira milenar. O meu coração batia inundado de gratidão por este primeiro milagre do Caminho.

Dia seguinte, mais montanha e montanha, muitas pedras pelo caminho, que é uma característica pelos caminhos na França. Deixo já uma dica muito importante: se vieres fazer este trecho do Caminho de Santiago pelas montanhas entre Menton e La-Roquette-sur-Siagne, TRAZ BASTANTE ÁGUA, pois há pouquíssimas fontes pelo caminho – a minha solução foi pedir água nas casas onde passava, o que é sempre uma experiência humana interessante e não deixa de também fazer parte da missão: “provocar” a generosidade nas pessoas. No fim, consigo chegar a TOURRETTE-LEVENS, depois de uma subida muito dura após um momento o próprio apóstolo Santiago (foto 2). Chegando na vila, vejo logo um Centro Cultural e o meu coração me direciona direto para lá, onde fui recebido pelo simpaticíssimo e super atencioso FRANÇOIS (foto 3), que falava um pouco de Italiano e Espanhol – outra dica: na França, caso o seu francês não seja muito bom, OPTE POR FALAR ESPANHOL; os franceses evitam o quanto podem falar a língua inglesa. François fez diversos telefonemas para conseguir um lugar para eu pelo menos tomar um banho, e no fim o NATIVEL, este carismático senhor da foto 4, me levou para o salão público municipal, onde eu pude tomar um belo banho e dormi num… palco gigante! Ele estava bastante emocionado, pediu para tirar uma foto da minha credencial do peregrino, disse que ia guardar a foto como um souvenir, e depois eu entendi o porquê: ele disse que eu era o primeiro peregrino na história do lugar que ia dormir ali.  Antes, enquanto eu esperava pelo Nataniel, conheci rapidamente a DANIELLA RICCI, uma italiana que tinha um bar em frente ao centro cultural e que me convidou para tocar lá mais tarde. Conclusão: voltei mais à noite e toquei para um pequeno grupo (foto 5), e depois a Daniella e o seu companheiro me ofereceram o jantar e a bebida. Destaque para as conversas profundas que tive com Daniella; desta vez senti que eu era o “anjo de carne e osso” para ela, que Daniella precisava que eu estivesse ali para termos aquelas conversas. No Caminho é assim: por vezes, encontramos anjos; outras vezes, somos eles próprios (olhos cheios de lágrimas de gratidão).

Os dias seguintes foram bastante duros, mas com alguns momentos muito intensos e profundos. Primeiro, quero destacar a passagem por SAINT-JEANNET, um lugar que quase não fui visitar e que valeu muito a pena ter ido. Explico-me melhor: é que de certa forma acabei por descer para a estrada de asfalto, não vi a continuação dos sinais na montanha; ia no meu caminho para VENCE quando de repente comecei a ver aquela vila lá em cima na montanha, e lamentei-me um pouco de não passar por ali. Entretanto, surgiu um caminho alternativo que levava para lá, e eu disse não, deixa para uma próxima. Mas logo à frente, um outro caminho surgiu, e desta vez eu disse “Ok, vamos lá”, senti o chamado, e foi uma das melhores coisas que fiz até agora. Além da linda Vila de Saint-Jeannet, onde inclusive foi rodado um filme com Gary Grant e a ex-princesa de Mônaco Grace Kelly, o caminho me levou para o BAOU DE SAINT-JEANNET, um pico com mais de 800 metros de altitude, onde gravei 2 videoclipes que estarão disponíveis em breve. Após o pico, encontrei um bosque muito especial, onde também gravei mais alguns vídeos, mas depois dali percorri o trecho mais duro do Caminho até agora, onde caminhei km e km sem água e sentindo um cansaço extremo, uma fadiga muito intensa que me levou a ficar um bocado revoltado e a ficar me lamentando sobre a falta de água. Entretanto, este momento foi muito importante, pois me trouxe uma grande lição que não é de todo desconhecida para mim: de que nada adianta ficar se lamentando da vida, o importante é assumir a responsabilidade sobre os nossos atos e irmos em busca de soluções quando uma situação é desfavorável. A partir do momento que tive esta (re)tomada de consciência, o Universo não me trouxe água, me deu um rio – ufa, olhos molhados de novo. No fim deste dia, não consegui chegar a Vence, como havia planejado, e acabei por dormir na montanha, numa clareira entre alguns carvalhos, dos quais “senti um chamado” para ficar ali no meio deles, como se dissessem “Vem, descansa aqui entre nós, o protegemos esta noite”.

No dia seguinte, na descida para VENCE, acontece o inevitável, a minha sandália já velha de guerra arrebenta, e eu então tenho que usar a bela sandália nova que os meus amigos que me hospedaram em Impéria por um mês me deram de presente. No entanto, apesar de bela, esta sandália não é nem um pouco apropriada para caminhadas longas, muito menos para montanhas. Conclusão, cheguei a Vence com o corpo bastante fatigado e com a missão de comprar urgentemente um novo calçado – acabei comprando outro numa promoção, mas que no fim era tão inapropriado quanto o outro. Ok, só me restava encarar as montanhas desta forma mesmo até encontrar o calçado justo. Outra dica importante: numa peregrinação, UM BOM CALÇADO FAZ TODA A DIFERENÇA, corresponde a pelo menos de 80 a 90% de sucesso, o corpo realmente agradece. Na manhã seguinte, caminhei até ROQUEFORT-LES-PINS, um percurso mais curto devido a dificuldade em caminhar com aqueles calçados, e naquele dia eu decidi que precisava descansar com um pouco mais de conforto, respeitar o corpo. Entretanto, não encontrava nada, a Mairie (câmara municipal/prefeitura) estava fechada, não havia mais o Office de Tourisme e o Santuário que geralmente recebe os peregrinos no local estava em quarentena devido a 19 casos de covid que aconteceram lá recentemente. Para completar,  o calor estava matando! Enfim, quando eu já estava desistindo da ideia de dar-me um descanso, um homem de dentro de uma caminhonete me vê e diz “Saint-Jacque de Compostelle, eu também sou um peregrino!”. DAVID (foto 6) diz que as pessoas do santuário o conhecem desde pequeno e diz que vai ligar para lá, mas eles confirmam que não podem me receber. No entanto, David teve a ideia de me levar a um lugar que ele toma conta (ele é jardineiro) e me cede um pequeno celeiro para eu dormir. Claro que fiquei muito grato ao David e um forte sentimento de aceitação e humildade tomou conta de mim, é como se eu tivesse voltado nos tempos de JESUS CRISTO, onde os peregrinos por muitas vezes dormiam em locais como aquele em suas peregrinações. Em vez de ficar chateado por não ter encontrado um lugar mais “confortável” para passar aquela noite, percebi que aquele lugar e aquele momento da minha vida eram os mais confortáveis que podiam existir – o conforto da alma em saber que se está realizando a sua missão, o conforto de seguir o meu coração e por isso ser cada vez a minha ESSÊNCIA, cada vez eu mesmo e aquilo que vim fazer aqui neste planeta. Na manhã seguinte, ainda encontro com o David num café já mais distante e ele insiste em me pagar uma sandes vegetariana, a melhor da jornada até agora! Certamente, mais um anjo que o Caminho me trouxe.

Aquele dia seria muito especial, e eu não tinha a menor noção disso. Após caminhar alguns km, entro num bosque que me fez lembrar muito a “Rota da Pedra e da Água” da Variante Espiritual do Caminho Português. Lindo demais mesmo, acalmou a minha alma em relação aos calçados, e obviamente tive que dar um mergulho sagrado nas águas. No fim da manhã, consigo chegar a VALBONNE, que saía do caminho oficial uns 2,5 km, mas sentia fortemente que devia ir ali, o meu coração me guiava até lá, apesar de todo o cansaço físico devido às sandálias. Fui direto ao ofício de turismo e lá me disseram que eu não encontraria nem as sandálias nem um número de telefone francês para ter internet ali, só mesmo em Antibes, uma cidade na costa que eu já conhecia da primeira edição da jornada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE em 2019. A senhora também me deu o telefone da paróquia, para ver se eu conseguia uma estadia para aquela noite. Saí um pouco desanimado do ofício de turismo, um bocado desnorteado e cansado, quando de repente surge um bus escrito ANTIBES. Na Europa, o bus nunca para fora do ponto/parada, daí pensei “vou fazer o sinal assim mesmo; se ele parar é porque realmente tenho que ir a Antíbes a fim de encontrar as soluções que preciso”. Dito e feito, a motorista me viu e ainda esboçou um sorriso e acenou para eu entrar, como se estivesse ali esperando que eu arriscasse fazer aquele sinal. Emociono-me ao escrever isto, porque realmente foi mais um sinal do Universo, e assim tudo foi resolvido, inclusive a minha dormida em Valbonne – a simpática atendente do ofício de turismo de Antibes ligou para a paróquia de Valbonne e deixou tudo acertado para eu dormir lá. Ah, e uma curiosidade: esta mesma atendente disse que foi ela quem carimbou a minha credencial do peregrino em 2019, que isto ficou marcado na história do lugar, pois eles nunca tinham visto uma credencial com tantos carimbos, até porque raramente passam peregrinos por lá. Para fechar aquele dia tão especial, fui recebido por esta linda família da foto 7, o RÉGIS, a sua esposa e o pequenino risonho e simpático que obviamente nos tornamos grandes amigos. Antes de eu retornar de Antibes para Valbonne, este senhor da foto 8, o FREDERICK, me vê e repete “Saint-Jacques de Compostelle, Saint-Jacques de Compostelle!” e começa a dizer um monte de coisas profundamente emocionado. Eu tentava acompanhar as suas palavras e de repente a sua companheira me pergunta de onde eu era, eu disse que era brasileiro e ela responde “Eu sabia!” – ela também era brasileira, a sorridente KIKA. Foi um encontro breve, mas muito emocionado este com Frederick e Kika (foto 8), e mais uma vez a dança alternada de anjos acontecia.

Voltei então a caminhar com calçados apropriados, a melhor sandália que jamais comprei em minha vida – após alguns dias de um caminhar sofrido, parecia até que estava a voar! Cheguei a MOUANS-SANTOUX com a intenção de resolver a situação do meu telefone: eu já tinha o número francês, mas a internet não estava funcionando. No fim, depois de ir a 3 lugares, uma menina de uma loja de conserto de telefones conseguiu me ajudar! Entretanto, quando eu caminhava para a loja, uma senhora que montava uma tenda para uma feirinha na praça disse “Saint-Jacques de Compostelle!” e eu disse a ela que já voltava ali. Quando voltei, comi algumas coisinhas muito gostosas preparadas por ela mesma e, quando estava me preparando para seguir o meu caminho, uma moça de uma outra tenda aproximou-se e disse “Hey, mas tens um guitarrista aí, precisamos de um pouco de música!” Naquele momento, percebi o motivo pelo qual estava ali e entrei em MODO MISSÃO para servir aquelas pessoas com amor em forma de música. E foi realmente muito bonito, as pessoas estavam realmente felizes e até emocionadas, com destaque sempre para as crianças, e desta vez também aqueles com mais experiência de vida. No fim, fui pagar a maravilhosa torta salgada de beringela e courgette e também a torta de maçã que tinha comido, mas a senhora não me deixou pagar e ainda me agradeceu muito pela música. Saí daquela vila com a gostosa sensação de missão cumprida. Terminei o dia em LA ROQUETTE-SUR-SIAGNE, onde dormi nos fundos da igreja, uma das melhores noites dormidas até agora. Ontem finalmente cheguei ao litoral e tomei um merecido banho de mar na bela MANDELIEU LA-NAPOULE, onde o Caminho de Santiago percorre a beira do Mar Mediterrâneo por alguns km.

Enfim, voltamos à questão que pontuei no início deste primeiro texto oficial da jornada: SER UM PEREGRINO OU UM SER PEREGRINO? Acredito que há uma sutil diferença aqui. Quando uma pessoa peregrina pela(s) primeira(s) vez(es), ela aprende a ser um peregrino pelo menos naqueles dias que duram o seu caminho, não importa se apenas por uma semana, 20 dias ou 1 mês – mas depois inevitavelmente retorna à sua rotina e aquele “sentir peregrino”, que conecta à pessoa muito mais com a sua própria essência, acaba por se perder com o tempo. Para mim, o segredo da felicidade (e da longevidade!) é aprendermos a ser UM SER PEREGRINO, ou seja, que possamos perpetuar ou ao menos viver a maior parte do nosso tempo com aquele sentir peregrino que tanto sentimos quando estamos num caminho de peregrinação, aquele doar-se, aquele sentimento de entrega total, aquele confiar no caminho, aquela conexão muito mais profunda com as outras pessoas e com a natureza e o mundo que nos rodeia. É levar o Caminho para o nosso dia-a-dia, para a nossa rotina, para cada momento de nossas vidas! É isso que me move, não interessa onde eu esteja ou com quem eu esteja – se eu carrego o sentir peregrino dentro de mim, sei que estou percorrendo o caminho mais belo e importante de todos: O CAMINHO DO CORAÇÃO 💗

Por fim, não posso deixar de destacar mais uma vez a incrível receptividade, generosidade e respeito que o povo francês oferece ao peregrino. Sou sempre bem-recebido em todos os países, é verdade, mas também é verdade que não há nenhum outro povo na face da Terra que receba tão bem o peregrino ou que entenda tão bem o significado de estar-se fazendo um caminho de peregrinação como os franceses. Termino estas linhas com uma imensa gratidão dentro do peito por tudo que vivi até agora nesta peregrinação intitulada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE 2, e prestes a percorre o trecho correspondente ao CAMINHO DE MARIA MADALENA, na Provença Francesa. Neste fim-de-semana começo a percorrer esta emocionante etapa do CAMINHO DE SANTIAGO por terras francesas.

BOM CAMINHO!!

O RETORNO DO CHAMADO

No próximo domingo 8/8 darei os meus primeiros passos em mais uma grande experiência de vida na minha passagem aqui por este planeta – a jornada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE 2 – o caminho de volta; o retorno do chamado. Escrevo estas linhas de coração aberto, para partilhar um pouco contigo como tudo mudou em apenas alguns dias, como a vida pode mudar completamente se estamos atentos e conectados às mensagens que o Universo envia para nós.

No início de Julho, senti forte no meu coração que devia retornar à Itália. A princípio, tinha em mente estar com algumas pessoas, sentir os chamados dos seus corações, talvez estabelecer-me em algum lugar por um bom tempo. Cheguei a Milão com estes pensamentos em mente, passei por Gênova ainda com o mesmo sentir, mas quando comecei a minha caminhada rumo ao maravilhoso lugar onde estou nas colinas de Impéria, tudo mudou. Parei para descansar e de repente vi o sinal da Via Della Costa, um trecho do CAMINHO DE SANTIAGO que percorri aqui na Itália durante a jornada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE em 2019. Ver aquele sinal foi fulminante para mim, imediatamente uma voz dentro de mim disse: “Você tem que fazer o caminho de volta”. Eu disse “What??”, mas já era tarde, a semente já estava plantada. Esperei alguns dias para ver se esta semente germinava e foi exatamente isto que aconteceu. Não podia contrariar aquela voz, pois foi a mesma voz que me disse “Vá a Roma”, quando eu estava no Santúario de Muxia, em 2019 – A VOZ DO CORAÇÃO.

Desta vez é diferente em vários aspectos, se comparado à primeira experiência da jornada, quando parti de Lisboa e terminei a minha peregrinação em Roma em 1 de Fevereiro de 2020. Naquela altura, eu partia confiando no caminho, mas sem saber ao certo onde o caminho ia me levar, tanto que a minha ideia inicial era ir em direção à Escócia. Foi realmente um grande aprendizado a primeira vez da jornada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE, aprendi ainda mais a ouvir e seguir a minha intuição, uma rendição total do meu ser já apontava no horizonte, adotei o mantra TUDO ESTÁ CERTO e a ACEITAÇÃO e a GRATIDÃO eram os sentimentos que me guiavam mundo afora. Também tive a imensa felicidade de encontrar anjos de carne e osso pelo caminho e de testemunhar que milagres existem sim!

Agora sinto que estou em missão, que a jornada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE 2  é uma missão que tenho que realizar não só por mim, mas também pelo mundo. Desde que me rendi completamente à minha missão de vida em janeiro deste ano, tudo mudou exponencialmente – comecei a ir onde eu sentia que as pessoas precisavam de mim, comecei a ouvir o chamado dos seus corações, e assim a magia da vida se fez presente tanto para mim, quanto para todos ao meu redor. E agora sinto um chamado múltiplo, como se várias almas e corações chamassem ao mesmo tempo, como uma súplica por momentos de alegria, leveza e confraternização. É por isso que parto novamente rumo ao desconhecido, é por isso que vou superar até os mais difíceis obstáculos que surgirão pelo caminho, porque sinto que há pessoas que precisam verdadeiramente do que tenho a oferecer a elas. Nos últimos dias, tenho tocado nas ruas de Impéria e é impressionante a reação das pessoas, é incrível ver o quanto as pessoas estão sedentas de MÚSICA, de ARTE, de um momento de descontração. Os sorrisos e agradecimentos que tenho recebido de volta não têm preço, além de serem uma confirmação da certeza de realizar esta missão neste pedaço do mundo que está conectado com o CHAKRA DO CORAÇÃO DA TERRA.

Portanto, é com muita FÉ, FORÇA e CORAGEM que parto no próximo domingo 8/8 da CAPPELLA DI SANTA BRIGIDA, situada em uma das colinas que circundam Impéria, perto aqui de onde escrevo estas linhas – há poucos dias descobri que Santa Brígida fez uma peregrinação entre Suécia e Roma e depois fez outra peregrinação entre Roma e Jerusalém, já com 70 anos de idade! Enfim, não foi à toa que o meu coração me dizia para iniciar a minha peregrinação ali, antes mesmo de eu saber estes detalhes que acabo de partilhar contigo.  Em 2 dias estarei já cruzando a fronteira para adentrar a França, que é o país onde o caminho é mais duro, mas também muito especial. Pretendo ir novamente à Gruta de Maria Madalena e a Lourdes, lugares santos que marcaram muito a minha vida na primeira jornada. Na França, farei também trechos que não pude fazer da primeira vez por razões climáticas, como o trecho do caminho entre Menton e Frejus; também pretendo visitar ao menos mais um lugar muito espiritual, mas deixamos isto para os próximos capítulos desta incrível jornada 🙂

Também irei documentar a jornada em fotos e vídeos e partilharei os conteúdos nas redes sociais. Mas estou muito feliz que desta vez você pode acompanhar ainda mais de perto a jornada fazendo parte da comunidade no Patreon, onde vou partilhar CONTEÚDOS EXCLUSIVOS e inéditos, além da possibilidade de termos um encontro semanal via LIVESTREAM, Q&A quinzenal, CONCERTOS EXCLUSIVOS, partilha de YOGA e MEDITAÇÃO, e ainda poderás receber um CARTÃO POSTAL meu, ter O SEU NOME NO MEU PRÓXIMO LIVRO e de ter ENCONTROS SEMANAIS DE HEARTCOACHING comigo. Tudo depende do quão fundo você quer mergulhar nesta experiência comigo. Por isso te convido vivamente a clicar no link e sentir qual a VIBE que combina mais contigo: patreon/neooneeon. Ah, e você também recebe os benefícios das vibes anteriores, é tudo cumulativo! E se aderires à comunidade ATÉ SÁBADO 7 DE AGOSTO, a véspéra do início da jornada, ainda participas da OFERTA ESPECIAL, onde terás sempre um ENCONTRO INDIVIDUAL comigo e receberás uma SURPRESA INÉDITA preparada com muito carinho 💗

Então é isso, deste lado aqui muita emoção, muita vontade e muita leveza para realizar esta grande missão de vida chamada ESPÍRITO LIVRE, ALMA VIAJANTE 2, rumo a SANTIAGO DE COMPOSTELA e depois FÁTIMA, já em Portugal. Serão cerca de 2500 Km que serão percorridos com muito AMOR e DOAÇÃO, sempre com a intenção de peregrinar o caminho mais belo e profundo de todos – O CAMINHO DO CORAÇÃO.

Abraços Peregrinos e uma ótima semana!