Confusion

Pensa, ele pensa em como escapar desse labirinto. Qual é o caminho do bem, pergunta-se às vezes com um tom de agonia no pensar. Ele tira a luva, ele precisa sentir o momento intensamente, ele precisa expressar o que está sentindo, sem saber direito o que está sentindo, mesmo sem saber se tem sentido. A mão dói, mas não importa, nada interessa, ele precisa continuar, precisa saber até onde vai o que ainda não aconteceu, ele precisa dar mais um passo, e cada passo a mais é mais um passo a menos, cada futuro alcançado transforma o presente em passado. Onde está a sua paz, aquela que o vinha acompanhando, acompanhando seus movimentos. Movimentos… Será que esta é a chave, estar em movimento, pergunta-se. Às vezes ele tem a impressão que muita paz tira a sua paz, que muito sossego o desequilibra, o deixa inquieto. Quem é este que pensa, será o mesmo que sente, será o mesmo que age? Quantos seres, quantos ‘eus’ ele possui? Não, eu não, ele! Mas quem é ele, quem é ela, quem é o elo? Elo perdido ou reencontrado? Renascido ou excomungado?

Muitas perguntas, ele caça as respostas, procura debaixo do cobertor, levanta o travesseiro devagar para ela não fugir, olha cuidadosamente atrás da cortina, mas não há nenhuma resposta em seu quarto. Seu quarto? Não, nada é seu, nunca foi. Ah sim, as respostas… Talvez estejam na sala, na cozinha, quem sabe no banheiro, quem sabe em outro lugar, quem sabe em outro país, talvez outros pais, talvez os mesmos. E os filhos, mudaram? Ainda são os mesmos? Quem pode dizer que é o mesmo, quem pode afirmar que é a mesma pessoa sempre? O problema não é a maneira como você muda, mas como você permanece o mesmo, como diria a canção da Antimatéria. Não, não a substância intocável, mas a banda acessível, caso saiba procurar. Em que língua? Pode escolher, são tantas…

Ele precisa parar de pensar, precisa voltar a ser livre, precisa voltar a ser louco! Só o sentimento o liberta, então ele sai para sentir a vida novamente e deixa os pensamentos trancados em uma gaiola imaginária e com as portas abertas. Portas abertas? Não tem problema, pois sabiamente ele cortou as asas dos pensamentos antes de voltar a sorrir.

” Confusion will be my epitaph…”

(”Epitaph”, King Crimson)

 

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