Aleatória Mente (Você é livre?)

“Após o café, Isis dirigiu-se para a sala e procurou pelo caderno onde esporadicamente fazia suas anotações, uma espécie de diário. Encontrou-o na estante de livros, entre O Mundo de Sofia e O Elogio da Loucura, obras literárias que ela tanto apreciava. Resolveu então abri-lo aleatoriamente, ao contrário da rigidez de sempre abrir na próxima página em branco. De alguma forma, o aleatório fazia mais sentido agora. ”

Este é um trecho de meu novo livro, que continua à procura da editora ideal para sair do papel digital e se transformar em realidade. Poderíamos começar uma discussão filosófica sobre o que é real ou não, mas hoje prefiro conversar sobre o aleatório, sobre a importância do aleatório em um mundo tão rígido de regras intransponíveis…

Mas por que as regras são tão intransponíveis atualmente? Será que não houve um tempo em que as regras eram mais rígidas, como em tantas ditaduras que existiram há tão pouco tempo? Brasil e Portugal, por exemplo, enfrentaram difíceis longos anos de ditadura militar. Mas, por mais incrível que possa parecer, nestes tempos havia mais tentativas de se quebrar as regras do que hoje. Você pode tranquilamente dizer que isso aconteceu porque não havia liberdade, daí eu poderia perguntar: então, quando há liberdade não é necessário questionar nada, as regras são impostas e pronto? Vamos todos concordar automaticamente?

O que acontece hoje em dia? Respeito às regras ou medo de agir? Obediência ou covardia? Por que é tudo tão superficial, por que não há interesse de se aprofundar, em se pesquisar, em obter mais conhecimento? A culpa é de quem? Se um evento violento ou abusivo é sucesso na Internet, este “sucesso” é atribuído a quem, a quem produz o vídeo, ou aos milhares ou milhões que o acessam? Se tem mercado é porque (infelizmente) há procura…

Então, nesta semana eu te proponho o seguinte: agir mais aleatoriamente. Não pode? Sim, você pode, você pode quebrar um pouco as regras que são impostas para você, às vezes impostas por você mesmo(a). Não estou dizendo para sair quebrando importantes “regras” de convívio social, mas quebrar regras arbitrárias, regras que você sequer pensou se são benéficas ou não para você, regras que são ditadas para lhe impor medo, para impedir a sua ação, para impedir que você questione, que você discorde.

Por último, deixo esta questão para reflexão: Por que em tempos atuais, onde a priori se tem liberdade, discordar ou questionar é tão ou mais perigoso do que em épocas de ditadura militar? Se há liberdade, não pode haver medo.

Eu, por exemplo, serei aleatório hoje, não deixarei o texto justificado, deixarei exatamente como foi escrito; também não colocarei as letras em preto automático, pois tenho liberdade para tal. No meu “pedaço”, não preciso seguir nenhuma regra imposta, a não ser que EU queira. Think about!

Boa semana!

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