There is no spoon

Sempre quis me aprofundar mais sobre as questões do cérebro e seu misterioso funcionamento, e parece que o universo tem conspirado a favor para tal. Na verdade, está tudo interligado. Este último ano que passou foi muito importante para a minha evolução pessoal e minha busca espiritual, e a cada degrau galgado, a cada passo percorrido no caminho, a impressão que fica é justamente esta, que o universo está conspirando… ainda bem! E 2015 tem sido absolutamente fantástico até agora, cada vez mais as ações refletindo os pensamentos.

Os último livros que li tem sido muito importantes nesta caminhada rumo ao desconhecido (sim, a Literatura liberta, a Arte liberta!), e este que estou lendo recentemente parece que vem para confirmar a direção, como fosse uma placa com os dizeres “Sim, é por aí mesmo”. Eu costumo dizer que não somos nós que escolhemos um livro, o livro é que nos escolhe, e neste caso em particular a atração foi imediata e intensa. Minha amada esposa, percebendo isto, deu-mo de presente de Natal (olha o português de Portugal influenciando na escrita), e desde então as portas vem se abrindo um pouco mais… Além disso, vi também um filme muito interessante com a temática cérebro/mente (Lucy) na semana passada, que me deixou ainda mais curioso e com mais vontade ainda de aprofundar meus estudos neste campo.

Mas por que lhe conto isto? É porque tem a ver com o nosso assunto de hoje, que é o duelo nosso de cada dia entre corpo e mente. O assunto não é novidade para mim (e talvez não seja também para você), tenho me deparado bastante com ele em outras obras, mas digamos que a explicação neste livro é mais técnica do que esotérica, o que “amplia ainda mais o leque”, como um tipo de suporte científico para questões espirituais, como tudo fosse uma coisa só (o que nada mais é do que a mais pura verdade!). Dentre outras coisas, o contexto principal do livro gira em torno de como libertar a mente do cativeiro em que o próprio corpo a colocou, ou seja, como sair da nossa zona de conforto e enfim se transformar em uma pessoa mais confiante, mais “viva”, alguém que possa deixar de ser um eterno refém do princípio “causa e efeito” e possa vir a se tornar uma pessoa que passe a causar um efeito…

Quando tentamos mudar, ou melhor, quando nossa mente tenta mudar algo, o corpo cria obstáculos, pois quer o conhecido, o que já está acostumado, não quer sair de sua zona de conforto. Soa familiar? Torço que não. Vou lhe dar um exemplo prático. Hoje de manhã, por causa da agenda cheia, saí de casa mais cedo do que o normal para fazer os meus exercícios físicos e peguei um frio de 7 graus, mas com sensação térmica de 3 graus devido ao vento forte e cortante. O meu corpo “disse” que era loucura, que não tinha cabimento ir fazer os exercícios naquela situação de frio extremo, que eu deixasse para outro dia etc. Mas felizmente a minha mente se manteve firme e fez com que eu seguisse em frente com o meu planejamento, não deixou que eu caísse nas armadilhas do corpo, e o resultado obviamente foi infinitamente mais satisfatório do que qualquer outro, fez com que eu me sentisse mais vivo e pleno, com aquela gostosa sensação de dever cumprido, de vitória.

Eu percorro aproximadamente cinco quilômetros, alternando entre caminhadas e corridas, andando dois quilômetros para ir ao local onde me exercito e mais dois para voltar, ou seja, além dos cinco quilômetros, levo mais quatro no percurso de ida e volta. Você poderia me perguntar “Mas Neo, por que tanto esforço em um dia que já vai ser cheio, não daria para substituir os exercícios pelos outros quilômetros que serão percorridos durante o dia?” Eu lhe diria que são momentos diferentes, pois quando estou fazendo meus exercícios, o fator concentração é muito importante, eu tenho foco na ação, e isto é fundamental para o sucesso de  qualquer empreitada. Se eu caminho apenas para chegar a um local onde tenho um compromisso, ainda que a distância seja a mesma, o efeito jamais será o mesmo. Em suma, quando estou concentrado, a mente está agindo e, desta forma, eu sou mais eu, sou mais pleno; se estou apenas caminhando rumo a um compromisso, é só o corpo agindo, é só o corpo realizando uma tarefa automática. Temos que ter bastante cuidado para não cairmos em mais esta armadilha, temos que avaliar muito seriamente se algo que planejamos como possibilidade de mudança de atitude ou comportamento realmente pode ser substituído ou adiado…

O ideal é que corpo e mente “falem a mesma língua”, que possam agir em harmonia e em uníssono. Isto é o que desejo a você que acompanhou estas linhas até aqui! Como diria aquele garotinho no filme Matrix, “There is no spoon”, ou seja, o objeto em si não existe, o que existe é a nossa visão de mundo, o nosso jeito de enxergar e encarar a vida. E quanto mais a mente e o corpo se entenderem, quanto mais conhecimento e experiência andarem lado a lado, quanto mais nossos pensamentos possam se transformar em sentimentos, quanto mais colocarmos a teoria em prática, mais chances temos de sermos felizes e plenos.

Uma ótima semana!

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